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21 de novembro de 2013

MAIS PEROLICES ERÓTICAS

Pois não é que a nossa querida amiga Pérola, cujo talento poético já aqui exaltámos, acaba de publicar o seu primeiro livro de poemas, intitulado "Pérolas a Porcos"? Bem, estamos emocionados! Isto mostra realmente o alto nível em que as Letras estão neste país de poetas. Ora aqui está ela, felicíssima com o accomplishment tão sonhado, com o seu cabelo à eighties, versão ABBA, na sessão de lançamento da obra-prima, que contava com uma multidão de 6 pessoas na sala (descontando os da mesa):

Em honra da nossa "querida amiga" (é assim que a maioria dos comentadores se dirige a esta fofa), deixamos aqui uma pérola recente da sua lavra, cujo tópico é, uma vez mais, a libido desenfreada que caracteriza a escrita desta super-amorosa. Antes de mais, a ilustração alusiva, que dá o mote ao poema "Algures...":


Como o Tio Dolce não é apreciador destas geografias do duplo cromossoma X, muito menos quando têm uma localização indefinida ("algures"?), e como a Bichana é uma rapariga muito pouco metafórica, vemo-nos obrigados a recorrer à ajuda da Corny Popcorn, que já mostrou ser uma sábia conhecedora das representações figuradas desta zona específica da anatomia feminina. Passemos sem mais demora ao magnífico poema:


Acesso restrito? Ufa, por momentos a menina assustou-nos. É que aquele fecho éclair semi-aberto fez-nos pensar que o porteiro estava de folga. Faz a jóia muito bem em encriptar o código, se bem que, como a entrada é "secreta", parece-nos uma redundância. Por outro lado, com tanto ferrolho, a querida corre o sério risco de espantar os visitantes, mas cada qual sabe de si.

Terra de ninguém? Será impressão nossa, ou essa expressão costuma designar algo que está votado ao abandono? Não? Ah, a Pérola é que é especialista em língua portuguesa, com obra poética publicada e tudo. Já aqui não está quem falou! E ainda bem, pois ter o seu jardim de prazeres ao abandono seria uma pena, ainda mais numa mulher que tanto desejo manifesta. Esse problema está portanto arrumado. Para as "águas" de que se queixa, olhe, há agora as Tena Lady que são ótimas para a incontinência. Vai ver que não passará embaraços nos seus encontros românticos com aquele professor de liceu que aparece na fotografia, sua malandreca!


Olhe, a Bichana é que a compreende: nas mulheres os anos equivalem sempre a um aumentozito de quilos. Mas deixe lá, embora se sinta inevitavelmente acolchoada, ainda é uma mulher que está aí para as curvas, pois então! Quando à erva fresca, cuidado! Olhe que isso está fora de moda, sua querida! Hoje em dia usa-se mais o trend "deserto do Sahara" - e há cortadores de relva a óptimo preço. Viva!


Ó rica, decida-se! É mansa ou revolta, afinal? É que um homem fica baralhado com tanta TPM. Se depois de hora e meia a desencriptar o código, chega e é recebido de trombas, ora bolas! Por outro lado, "atmosferas revoltas" são algo a evitar nesse ato sublime que é o amoooooooooor. Há para isso também comprimidos de carvão que resolvem a flatulência intestinal num instantinho! Oh, não agradeça, estamos aqui para ajudar!


Ai sim?... Olha que esta! É que não esperávamos, com aquela cara de padreca. Com que então ele saiu um descarado? E encara o seu esconderijo tão enigmático e acolchoado como uma "mera brincadeira"? Ah, safado! Mas deixe lá, Perolazinha darling, a APAV pode facultar-lhe apoio psicológico gratuito e ajudá-la a libertar-se desse exemplar da opressão patriarcal que não a merece! Enquanto a senhora prepara o discurso para o Nobel (ainda pode levar uns anos, querida, mas vá burilando o texto), vai ver que se transforma aos poucos numa mulher emancipada, dona e senhora das suas atmosferas revoltas e da sua terra de ninguém, sem que algum macho impertinente faça poucochinho de si!

Sempre vossos,
Dolce e Bichana

21 de agosto de 2013

COMO ESCREVER POESIA ERÓTICA


Ora bem, ora bem, ora bem. Acometidos por um acesso de masoquismo, eis que os Tios Dolce e Bichana foram fazer uma prospeção pelos blogs de poesia que pululam por essa Net. E, de entre as muitas pérolas encontradas, descobrimos uma auto-proclamada Pérola, que deu ao seu recanto o nome de "E era tudo muito bom." Era, perguntamos nós? E já não é? Ou "seria" (hipoteticamente), mas nunca "será" (realmente)? Bem, ignoremos esta ligeira ambiguidade verbal, pois já deu para perceber que a querida autora deste blog já está muuuuito avançada nos entas, escrevendo de memória ou sob influência de alucinações alzheimerianas.


Comecemos. O tema do poema é o desejo sexual, como se pode ver pelo título ("Cobiço-te") e pela imagem tão subtil que a Pérola amorosa escolheu para o ilustrar. Muito bem, que ousadia de tópico! Já estamos a ver que a senhora é uma grande marota, ai já já. É claro que não há assunto mais perigoso e difícil de abordar sem cair no ridículo, mas a Perolazinha não se apoquenta e lança-se na primeira estrofe:
Cobiço-te o ímpeto inesperado
de apetites gulosos.
Espere lá, espere lá, que começamos bem!... Então por que motivo é que o ímpeto dele é inesperado? O homem já não dava sinal de vida há muito tempo, era, sua querida? Ah, assim já percebemos melhor a sua imensa alegria por este acontecimento.
Cobiço-te as ondulações gemidas
do corpo firme que serpenteia.
Fazendo um duro esforço hermenêutico, lá conseguimos perceber que o corpo do amante que esta fofa arranjou ondula, geme e serpenteia. Credo, será Parkinson? Tenha cuidado, sua querida, que conhecemos muitos casos de AVCs e ataques cardíacos ocorridos durante o coito. Em matéria de cama, convém não arriscar e evitar os utentes frequentes do SNS.
Cobiço-te os beijos incontáveis
de boca sofrêga [sic] em humidade saborosa.
Ó rica, se é saborosa a sua humidade ou não cabe a ele decidir, não acha? (Os nossos estimados leitores que nos desculpem esta ligeira quebra no elevado nível da nossa prosa, mas a culpa é da Pérola, que nos provocou.)
Cobiço-te as ausências adivinhadas,
presentes orgásticos e sonhos desregradamente ousados.
Como diz?... "Ausências adivinhadas"? Então o homem ainda agora deu um ar da sua graça e já se vai ausentar? E os "presentes orgásticos" estão quase-quase, vai-que-não-vai, a transformar-se em "sonhos ousados"? Por outras palavras, a realidade está prestes a tornar-se ficção? Ora bolas! É caso para dizer que foi sol de pouca dura.
Cobiço-te o vulcão saciado
em erupção de prazer desmesurado.
"Vulcão saciado" - olha, uma metáfora! Parabéns (considering...)! Mas olhe que, na idade dele, um vulcão saciado leva o seu tempo a recuperar. E cheira-nos que o prazer dele foi tão, mas tão "desmesurado" que o homem foi tirar umas férias para a Martinica.

Contente com o belíssimo poema que lavrou, a Pérola decide terminá-lo com o seguinte verso singelo:
Cobiço-te . . . porque me apeteces !
Sabe o que se chama a isto? Redundância. Truismo. E anti-clímax, tout court. Então a querida alega que foi à Lua e voltou, colhendo todas as estrelas pelo caminho, e tudo o que lhe ocorre dizer no final é que ele lhe apetece? Olhe, a nós apetece-nos ir ali comer um gelado. E ir lá fora ver se chove.

Oiça uma coisa que lhe vamos dizer, sua amorosa poetisa wannabe: quem não tem unhas não toca viola. E quem mistura orgasmos, humidades, gemidos, prazeres, firmezas, suores e o diabo a quatro, tudo num único verso, está a pedi-las, não acha? O que nós lhe pedimos a si, sua jóia, é: give us a break. O firmamento dos poetas agradece.

Sempre vossos,
Dolce e Bichana